quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Confissão

Confesso, confesso o inconfessável!

Confesso até o que não fiz.

Confesso o crime que não cometi.

Confesso apenas para saber por qual motivo

cumpro a pena que me é imposta,

pois como pode?

a vida viver longe da própria vida?

O chocolate do leite?

O picante longe da pimenta?

A abelha do mel e a nuvem do céu?


Essa pena arbitrariamente imposta a mim,

a nós, pelo mundo,

dia a dia, sol a sol.

E mesmo com as alcovas abertas,

não existe nenhum desejo

em deixá-las e caminhar livre porém sozinho,

sobra apenas o medo de te ver em outro ninho.


Quem foi este tão severo juiz?

Que teve a coragem de decretar

pena tão dura e severa

para quem o único pecado tenha sido amar.

Agora, dois corações que de desejo e saudades

desenganam-se e enganam-se tentando ser feliz

buscando conforto e segurança

e uma maneira de desobedecer o juiz.


Que mal você fez?

Que mal eu fiz?


Confesso que já perdi não só a esperança,

já perdi a fé, e também a confiança

não vejo mais os obstáculos. Estou parado!

Como se tivesse defronte a uma muralha.

Como se nadasse sempre contra a maré

em águas revoltas, turvas e que nunca me dão pé.

Para qualquer direção que eu vá

o único horizonte que miro e me reluz é você.


Agora que já se foi,

como fazer para continuar a nadar

que motivo existe para viver?


Edson Carvalho Miranda

22-10-2009

3 comentários:

Rá Eufrasio disse...

Aeee, enfim consegui comentar.. rs
Ainda não tinha vindo aqui, muito bom! Vou ler os outros textos!!
;)

Anônimo disse...

Faço a mesma confissão! Tudo o que vivemos não foi em vão... ficaremos com a doce ilusão de termos estagnado no caminho, porém avançado nas coisas eternas e sólidas do coração. Amar não é pra qualquer um...amar é para os poucos loucos que se deixam levar pelos devaneios frenéticos, lunáticos de corpos ardentes, mas com o mais importante: eternas mentes e corações que nunca se apartarão do verdadeiro amor, ainda que a própria morte se torne real e incoerente...
Sua aguardente

Edinho disse...

É muito bom ver palavras tão sóbrias
E tão centradas dispostas de forma tão poética
Engrandecendo minha singela obra.
Obrigado seria uma ofensa a sua participação aqui.
Volte, mas volte sempre....
“ erre, erre muito, erre sempre para mais...”

Encontro-me embriagado até hoje rsss