segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ciclos

O amor, assim como a brisa, chega de forma inesperada, no dia mais improvável e sem que se perceba essa brisa passa a ter uma importância vital, assim como a água ou o próprio ar. Essa brisa acaba se fortificando em trocas mutuas de energia, de bem querer e, com o passar do tempo, estimulada e apoiada em bases fortes de compreensão, carinho e respeito transforma-se em um vento que invade a abandonada casa e retira a poeira e, embora traga algumas folhas secas há muito já esquecidas, torna-se ainda mais vital. A natureza mostra se perfeita em tudo e, de tão perfeita, não deixa que nada seja perfeito e uniforme, justamente para que exista sempre as sensações de novidade, de falta de chão e o sentimento de se atirar ao vento, que rapidamente se transforma em tempestade, arranca as folhas, trás a chuva, a insanidade e, meio da fúria do tufão, encontramos a felicidade que, com a força de um furacão nos arremessa ao fundo do abismo e, ao mesmo tempo, nos ascende ao paraíso. Como querubins bailamos sob a melodia harmoniosa da paixão em rompantes devaneios de sobriedade.

E lá vem o sol, o arco-íris, o recomeçar que nos obriga a mudar que nos leva a evolução revelando a vida, trazendo a seca, a queda no deserto, que nos mostra o marasmo das seguidas ondas de calor e o ritual monótono do balé das areias que vão, tediosamente, de um lado para outro trazendo a lembrança do que se foi e o desejo de novamente o ciclo recomeçar. Tudo são faces do mesmo amor, que já fora tempestade, paixão! Imprescindíveis são discernimento e compreensão, para não se prender ao passado e fazer dele um espelho, espelho mágico! Para o futuro! E projetar do futuro uma reação no presente e novamente deixar a brisa da vida recomeçar seu ciclo. Confiar na natureza e no imortal, na alma, no espírito e dar mais uma chance para a vida e o amor. A calmaria logo se vai e a tão esperada tempestade volta, com ela o sangue a pulsar forte nas veias levando assim, mais uma vez, do cantinho a areia.


Edson Carvalho Miranda

25-01-2009

2 comentários:

penelope disse...

impossível ler e nem sequer comentar.
palavras que nos fazem viajar sem sair do lugar.
simplesmente e realmente lindo !!!

Alessandra disse...

Você conseguiu, se possível, se superar...forte, verdadeiro e arrebatador!
Beijos