quinta-feira, 28 de outubro de 2010

AO AMOR ANTIGO


Ao Amor Antigo


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade

Um comentário:

Edinho disse...

Amor antigo, amor, todos rimam com sofrimento e dor mas vivem da saudade e da alegria dos momentos que juntos suplantaram as difuculdades e sucumbiram apenas ao proprio amor.